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Tópico: O Auto-Cultivo: Peça Chave nas Terapias com Canábis

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    O Auto-Cultivo: Peça Chave nas Terapias com Canábis



    O Auto-Cultivo
    Peça Chave nas Terapias com Canábis

    Texto e fotografia por Tommy L. Gomez
    Maio 2018


    Ao longo dos últimos anos tenho-me dedicado a dar a cheirar flores de canábis a pessoas que nunca a consumiram, desconhecendo-a por completo no que ao contacto presencial com a mesma diz respeito. Sem as incitar de forma alguma ao consumo, peço-lhes apenas que me transmitam com total imparcialidade o que pensam sobre os aromas presentes nas ditas flores. Esfrego os cálices por forma a que se quebrem alguns tricomas e se libertem os terpenos. Em mais de 90% dos casos existe unanimidade: os aromas, além de muito curiosos e únicos, são absolutamente agradáveis na sua complexidade, ao ponto de dar vontade de continuar a presentear o olfacto com tal maravilha da natureza.

    Aromas doces, agridoces, apimentados, a gasóleo, a dissolvente, a madeira, a terra molhada, a incenso, a especiarias, a chocolate, menta, café, baunilha, cenoura, a fruta madura como melão, laranja, limão, morango, frutos do bosque, manga, pêssego, etc. Enfim, uma panóplia interminável de aromas e sabores que, segundo cada variedade, podem estar mais ou menos presentes no bouquet de terpenos de cada planta. Umas genéticas são mais frutadas, outras mais amadeiradas, outras mais doces, tipo algodão doce, outras até de aroma mais pungente que apresentam tonalidades aromáticas que vulgarmente consideramos desagradáveis, tais como terra húmida, gasóleo ou dissolvente, mas que, por serem tão curiosos e complexos, nos conseguem estimular os sentidos ao ponto de, em última análise, os podermos considerar agradáveis.

    A planta de canábis evoluiu com o ser humano. Naquelas zonas do planeta em que ao longo de grande parte da história da humanidade a canábis sempre cresceu selvagem, em função da alta resistência por via da adaptação das variedades autóctones às contrariedades ambientais de cada região, o ser humano e a planta de canábis sempre interagiram, numa relação de perfeita simbiose. Em todos os casos e tal como fizemos com tantas outras espécies do reino vegetal, sempre preferimos plantar sementes daquelas plantas (variedades ou fenótipos dentro de uma mesma variedade) que mais nos agradavam ao nível organoléptico. Esta selecção “natural”, pelas mãos dos nossos antepassados, explica em grande medida a reacção tão positiva do ser humano “não-consumidor” ao cheiro das flores de canábis. Afinal, fomos nós que as seleccionámos para que desprendam estes aromas, descartando sementes das plantas de aromas menos agradáveis e germinando aquelas provenientes de plantas com aromas mais ao gosto do olfato humano. Posteriormente, cruzando-as entre si. Não causa estranheza que os aromas e sabores dos híbridos modernos sejam do nosso agrado. Uma selecção tão natural quanto a naturalidade da acção do nosso antepassado neste sentido. Definitivamente, uma selecção natural em todo o seu esplendor.



    A nota introdutória expressa no texto supracitado, aparentando não possuir qualquer relação com a temática identificada no título deste artigo de opinião, serve para clarificar um facto que qualquer amante ou estudioso da planta de canábis deveria conhecer: a planta de canábis é única mas não existem duas plantas iguais. Tal como o ser humano. Não encontramos dois iguais, quer estejamos a falar de pessoas, quer de plantas.

    Se germinarmos 100 sementes de uma determinada genética, provenientes, portanto, dos mesmos parentais, apesar de se poder considerar que todas possuem a mesma carga genética, cada planta vai apresentar um fenótipo diferente. Por outro lado, as combinações genéticas possíveis são infinitas, precisamente como sucede com o ser humano, em que qualquer “cruzamento” entre dois seres diferentes dá origem a um fenótipo único.

    Por estas alturas da segunda década do terceiro milénio, podemos encontrar seguramente mais de 10.000 genéticas de canábis das quais existe registo, e ainda mais certamente acima de 10.000.000 de genéticas (ou variações fenotípicas dentro de uma mesma genética) das quais não podemos encontrar registo, mas que sabemos sem qualquer margem para dúvida que existem. Aliás, os números pecarão certamente por escassos. Além disso, se cada planta assume o seu próprio fenótipo, por cada planta, temos um perfil cannabinoide único, irrepetível e nunca antes visto. Um bouquet de aromas e sabores singular, uma produção de tricomas única, uma beleza na estrutura da flor sem igual, e por aí em diante.

    Um consumidor de canábis, quer assuma uma relação com a planta a nível medicinal, terapêutico ou lúdico, tende a enveredar no desfrute de uma trajectória em que se envolve com a planta de canábis numa espécie de romance cujo objectivo é encontrar a sua cara metade canábica. Não seria despropositado dizer-se que 99% dos animais humanos se sentem impulsionados e motivados para a busca de um semelhante que seja do seu agrado e que possua uma visão comum, ou tão comum quanto possível, por forma a que, com essa pessoa, possam estabelecer uma relação de partilha, de amizade, amor, de minimamente aceitável perfeita união (salvo a contradição).

    Se qualquer um de nós se visse na posição de ter que encontrar parceiro numa farmácia e nos fossem dadas apenas duas opções, a grande maioria de nós acabaría por se divorciar no curto prazo. Aliás, já na realidade de livre arbítrio que conhecemos, a maioria se acaba por “divorciar” praticamente no imediato, pelo que tendo que escolher entre apenas duas opções, provavelmente mais de 90% acabaria por ficar na solidão ou, em alternativa, teria que procurar alguém fora da farmácia.

    É assim que tem acontecido nos países que legalizaram a canábis medicinal mas limitam a sua obtenção por parte dos doentes às farmácias. Um consumidor de canábis que já provou centenas de variedades, em todos os casos, sem excepção e por força da lógica, tem as suas 3 variedades, 5, talvez 10, favoritas, que lhe proporcionam o efeito pretendido. E muito dificilmente uma delas estará à venda na farmácia, que apenas tem 2 variedades em stock. As probabilidades seriam em ordem do tipo de 1 em 1000. Por este motivo, e não apenas por carolice, tantos outros países e Estados dos USA optam por permitir ao doente a aquisição da canábis em locais especialmente concebidos para o efeito: os dispensários ou clubes sociais de canábis.



    Pessoalmente, é com muito orgulho que este ano completo 20 anos de consumos canábicos. Contínuos e com poucas intermitencias, felizmente e para bem da minha saúde, conforto, desenvolvimento pessoal e bem estar geral. Entendo (porque constato) que “a canábis não é para todos”. Mas sei que “é para a maioria”, no sentido em que estou perfeitamente conhecedor de que a maioria de nós (adultos que decidem consumir) tem a capacidade de recolher os mais vastos benefícios de um consumo canábico responsável e ponderado, sem que qualquer efeito negativo se chegue a contrapor na mesma proporção ou perto disso. Destes 20 anos de consumo, 6 foram na base dos derivados de canábis de baixa qualidade e quase sempre adulterados, que tão daninhos são para a saúde e que abundam no mercado negro. Frutos envenenados da proibição. Mas, através da descoberta do auto-cultivo, pude desde 2004 enveredar pelo seguro caminho da odisseia canábica em todo o seu esplendor, descobrindo primeiro dezenas, depois centenas, de diferentes variedades, diversos aromas, sabores e efeitos. Fenótipos preservados no tempo através de clones elite, vulgo plantas mãe mantidas em vegetativo permanente (em teoria a eternidade é o limite) através de fotoperíodos de 18 ou mais horas de luz diária contínua.

    Ao longo de todos estes anos, depois de experimentar centenas de variedades que cultivei, tantas outras centenas de castas provenientes de cultivos de amigos e talvez milhares de outras genéticas de aquisição em coffee shops holandeses, dispensários canadianos ou clubes sociais espanhóis, sinto que percorri um trajecto fantástico de descoberta e investigação sobre aquilo que é a canábis e sobre o que ela é em mim. Variedades há que, se me dissessem que só podia desfrutar daquela até ao final da vida, deixaria de ser consumidor já hoje, de tal forma desagradáveis são as sensações que me aprontam. Deixam-me totalmente desconfortável. Algumas ansioso. Outras triste. Outras sem vontade de fazer nada. Outras não me deixam dormir, enervam-me, dão-me pesadelos. Se a canábis fossem elas, deixava-a no momento.

    Outras variedades há que, pelo contrário, têm o poder de encaixar como chaves feitas à medida do buraco da fechadura dos meus receptores endocannabinoides. Conforto, motivação, bom humor, criatividade, euforia gentil e controlável, concentração, e sensações tantas que faltaria inventar palavras para as poder expressar. Mas para estar numa de inventar palavras, faltar-me-ia uma determinada variedade que de momento não tenho no meu stock, pelo que terá que ficar para uma futura oportunidade. Tenho, por exemplo, uma variedade que me motiva para as tarefas mais entediantes a nível laboral. Adoro a minha profissão e sou um apaixonado pela temática em que a mesma se enquadra (não fosse ela, esta) mas, como em todas as profissões, existem tarefas que se pudesse passar sem as executar, fá-lo-ia sem pensar duas vezes.

    Quando se me acumula trabalho desse género, vaporizo ou como bolachas canábicas (feitas com manteiga canábica) de uma determinada variedade que tenho seleccionada. Quando me apetece ir passear à rua ou ao campo, utilizo outra variedade diferente. Quando é para ir às compras, ou para ir sair à noite, ou assistir a um concerto, tenho outra. Para abrir o apetite, como por exemplo para o jantar de natal da empresa, como uma bolachinha canábica de uma outra variedade em específico, duas horas antes, e o jantar torna-se numa sinfonia para as papilas gustativas em ameno convívio. Para uma noite confortável e um sono perfeito, tenho outra variedade. E por aí em diante, virtualmente até ao infinito.

    Reformulando, estas variedades, seleccionadas por mim ao longo dos anos, encaixam nos meus receptores endocannabinoides como uma chave encaixa na fechadura para a qual foi desenhada por medida. Com estas mesmas variedades, tomadas por outra pessoa, a tendência será para que encaixem de forma diferente e os efeitos percebidos não sejam exactamente os mesmos. Poderão ser absolutamente desagradáveis e contraindicadas. Cada pessoa é única. Tão única quanto cada fenótipo de canábis.

    Nem podemos falar em variedades. Pois se eu germinar 10 sementes de uma única variedade, cada uma das 10 plantas terá variações fenotípicas que a diferenciam das demais. Ao ponto de não ser possível garantir que o cultivo de 10 sementes da variedade que me motiva para actividades entediantes venha a produzir flores com um perfil cannabinoide minimamente semelhante ao daquele fenótipo que efectivamente me permite esse efeito e que guardo em formato de clone (ou planta mãe). Só o clone (ou planta mãe) e a produção através de cultivos com clones feitos a partir dessa planta mãe, em detrimento do cultivo a partir de semente, pode assegurar a virtualmente ilimitada reprodução de uma genética e, assim, permitir a um doente a ininterrupta produção de flores de canábis com o perfil cannabinoide adequado a si, à sua patologia e à forma tão particular como a específica patologia interfere com a sua saúde e bem-estar.

    Estamos, portanto, perante infinitas variações numa única planta de extraordinário potencial terapêutico, em que cada tipo de efeito é mais ou menos adequado a um propósito, dependendo da pessoa que o experimenta. E se no âmbito lúdico ou recreativo é assim, no âmbito medicinal ou terapêutico exponencia-se e reveste-se de relevância o impacto das diferenças entre variedades/fenótipos. O que para uns é uma terapia, para outros pode até chegar a ser contraindicado.

    Limitar a venda de canábis medicinal às farmácias é como decidir apenas vender 2 medicamentos na farmácia e colocar os doentes todos no mesmo saco. É como receitar um medicamento ao acaso. Como se numa consulta com o nosso médico de família ele enfiasse a mão num saco cheio de bolas, cada uma com o nome de um medicamento, e nos tocasse a prescrição daquele que ao azar saísse. É como fazer aromaterapia apenas com 2 aromas ou cromoterapia apenas com 2 cores. Ou ter apenas 2 tamanhos e medidas de próteses para todos os amputados. Faz tanto sentido como os casamentos por conveniência e os resultados tendem a ser na mesma medida desastrosos.

    É inegável que a criação de locais destinados à venda de flores de canábis para fins medicinais ou terapêuticos, permitiria ao doente escolher de entre muitas dezenas de variedades, aquela ou aquelas que mais benefícios lhe proporcionassem após experimentar os seus efeitos. Já seria um bom ponto de partida. Porém, para que a panóplia se ampliasse da ordem das dezenas para a ordem dos milhares (em teoria, “ao infinito”), permitindo um acesso total do doente ao seu medicamento ou terapia, a resposta é apenas uma: auto-cultivo.



    Para terminar, analisemos os argumentos dos cépticos (que o são apenas por desconhecimento) no que ao auto-cultivo de canábis por parte de indivíduos com prescrição médica para tal fim diz respeito:


    1. Não existiria controlo de qualidade.

    Este é, na nossa actualidade, o principal argumento. Um argumento que se alicerça numa premissa: somos todos infantis e precisamos que cuidem de nós. Qualquer pessoa adulta que cultive tomates, tem à partida e na esmagadora maioria dos casos as faculdades intelectuais que lhe permitem o bom senso de ingerir, ou não, os tomates no final em função da sua qualidade. Se estiverem podres, não os come. Se estiverem afectados por pragas de insectos a um determinado nível, não os come. Sabendo que os vai comer, não usa (ou, no mínimo, não abusa) da utilização de produtos químicos enquanto os cultiva. É uma falta de respeito para com todo e qualquer cidadão que o Estado se julgue no direito de o considerar inapto para avaliar a qualidade e segurança de um consumível e que tenha que ser ele, tal qual uma mãe com um bebé de 2 anos, a avaliar se um produto está ou não em condições adequadas ao seu consumo.

    Da mesma forma que é mais fácil obter um tomate de maior qualidade se cultivado em casa, que se produzido industrialmente, também será (e é) certamente mais fácil obter um cabeço de erva de maior qualidade se cultivado em casa. Como auto-cultivador e utilizador de canábis a nível terapêutico, se uma colheita em cada cinco correr mal e o produto final tiver bolor, presença de pragas, etc, optaria pela alternativa de adquirir a canábis num dispensário, caso não estivesse prevenido com existências de reservas da anterior colheita, algo que, pela minha gestão de stock, certamente estaria, tal como a grande maioria dos auto-cultivadores.

    Naqueles países que legalizaram a canábis medicinal mas que limitam a sua venda às farmácias, a efectividade da mudança na lei tem sido um fracasso precisamente porque os doentes continuam a preferir a qualidade da canábis de auto-cultivo. Isto porque pese embora a canábis de farmácia seja alvo de um controlo de qualidade que a garante como segura, segurança não é por si só sinónimo de qualidade ou de ideal tolerância pelo organismo. A canábis de farmácia estará (presumimos) efectivamente livre de fungos, de contaminações por pragas, de vestígios relevantes de fertilizantes ou pesticidas, mas a sua suavidade de fumo ou de vapor pode não ser tão agradável (nem tão “gentil” para as vias respiratórias) como a da canábis de auto-cultivo que o paciente consegue produzir em sua própria casa, para seu consumo.

    Tal como nos produtos para alimentação, aquilo que é produzido em pequena escala, em cultivo biológico e com todos os cuidados por parte de quem os irá consumir, tende a ser menos agressivo para o organismo e acaba por ser por este muito melhor tolerado que qualquer produto de origem industrial. E qualquer cultivo de canábis que venha a ter como finalidade o abastecimento de farmácias será, certa e obrigatoriamente por força da lógica, de características industriais.

    Numa nota final, não estaria demais que se criasse um serviço de análises laboratoriais para amostras enviadas pelos auto-cultivadores que estejam interessados em conhecer o perfil cannabinoide da sua canábis, bem como confirmar se está apta a ser consumida pela sua via de eleição.


    2. Uma parte das produções de auto-cultivo vão parar ao mercado negro.

    E “toda a parte” de todas as actuais produções estão no mercado negro, em situação de ilegalidade. Não estaríamos, portanto, a criar um problema. O problema, implicitamente reconhecido, já existe. Urge resolvê-lo, pois tem óbvia, eficaz e duradoura solução. E com um quadro legal que inclua o auto-cultivo, a tendência seria para que o mercado negro se visse ligeiramente minorado. Num cenário de despenalização e/ou legalização do auto-cultivo para doentes com receita médica, todos aqueles em posse de receita, poderiam cultivar, com todas as vantagens anteriormente referidas, a sua própria canábis.

    Se aqueles que, por particularidades da sua vida pessoal ou até mesmo da patologia em si não o pudessem fazer, tivessem onde a adquirir (clubes sociais ou dispensários), certamente que prefeririam fazê-lo num local concebido e certificado para tal, sem colocar em risco a sua segurança, nem a da sua saúde. Qualquer um de nós prefere comprar carne num talho ou supermercado a comprá-la a uma pessoa que aparecesse na rua a vendê-la.

    Se a dita legalização ocorresse ao nível não só do licenciamento para o auto-cultivo por parte de doentes com prescrição mas, também, para todos os adultos que são consumidores por reconhecerem benefícios no emprego de cannabinoides, o mercado negro para o sector da canábis ver-se-ia dizimado.

    Além disso, para se temer que uma parte das produções de auto-cultivo possa ir parar ao mercado negro é preciso estar-se totalmente alheado da realidade no que ao nível da proporção diz respeito. A capacidade de produção em ambiente de auto-cultivo limitado pela prescrição médica no que às quantidades diz respeito (número de plantas ou m2 de cultivo) é absolutamente inferior às quantidades (leia-se toneladas) de derivados de haxixe que entram no nosso país e que, em parte, deixariam de entrar, bem como dos milhares de milhões de euros que abandonam o nosso país em contrapartida, pois se a coisa não é grátis e vem do estrangeiro, o país descapitaliza-se, tal e como é inteiramente inteligível.

    O medo de que se consuma o que cá se produz é irracional ao ponto de se afigurar ao medo de bloquear saídas ilegais de dinheiro do país, que em última análise nos acabam por penalizar a todos. Quem no seu perfeito juízo pode estar a favor da saída ilegal de dinheiro do país? Capitais que inevitavelmente acabam por cair em redes que no topo da pirâmide são constituídas por organizações criminosas que comprometem a nossa segurança e que nos obrigam a forçosos gastos adicionais para a proteger.

    Porém, os argumentos supracitados, ainda que honestamente alicerçados em raciocínios lógicos inquestionáveis, são de uma irrelevância contundente: o consumidor terapêutico ou medicinal anseia pelo auto-cultivo despenalizado apenas e tão somente para deixar de depender do traficante (muitas vezes sem escrúpulos), nas mãos do qual coloca a sua segurança e saúde. O traficante, poderá continuar a sê-lo, mas não terá tantos clientes pois muitos deles já se passariam a abastecer no auto-cultivo, através de uma saudável interacção com a natureza. Ficando apenas a faltar saber quando poderemos ter o auto-cultivo despenalizado também para o consumidor recreativo, colocando-se então o traficante finalmente fora da equação, pelo menos nos termos em que agora se encontra.


    3. Não há um terceiro.

    Se os dois primeiros argumentos debatidos já são disparatados o suficiente, um terceiro subjugaria ao ridículo qualquer céptico do auto-cultivo que o pudesse defender. De tal forma que nem se me ocorre mais nenhum argumento defendido pelos cépticos, em desfavor do auto-cultivo que tenha fundamento e seja digno de debate. O auto-cultivo é uma prática solitária, de introspecção, da mais saudável interacção com a natureza. Infindáveis são os casos de homens e mulheres que só após a idade adulta se encontraram na aventura de uma cooperação íntima com a mãe natureza. Pelas mãos da canábis. Em muitos casos, ajuda determinante no seu desenvolvimento e realização pessoal.

    A imagem de um homem com uma planta é desde logo uma figura indestrutível. Maior que qualquer lei, superior a qualquer ameaça. Quando essa planta tem o poder de confortar, curar, atenuar a dor e exponenciar o bem-estar e o bom humor ao dito homem, a simbiose entre os dois assume proporções singulares e não há lei baseada em cepticismos alienados da realidade que possa perdurar. Eis-nos chegados a esse ponto, em que o auto-cultivo não pode continuar a ser encarado como o problema, quando é claramente a solução. Pensemos mais à frente. O auto-cultivo existe. Numa escala sempre imensamente superior ao que possamos imaginar. Continuará sempre a existir. Há que legislar para o regular. Compete a quem lhe compete decidir, a competência de em consciência discernir.


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